As melhores aventuras do Superman no cinema 

O lançamento da nova produção comprova que o personagem, criado nos gibis há quase 90 anos, ainda tem muitas boas histórias para contar 

Superman (Foto: Reprodução)
Superman (Foto: Reprodução)

Numa entrevista feita pelo Pipoca Online com Fabio Marques, o brasileiro que conhece tudo sobre a criação dos estudantes Joe Shuster e Jerry Siegel, comentou um encontro surpreendente que teve ao assistir, em Nova York, o lançamento do filme Homem de Aço (2013). Ele conheceu um casal de octogenários que eram fãs do Superman desde o lançamento da primeira aventura na revista Action Comics Número 1, em junho de 1938.  

A história de Fabio traz um fato interessante sobre a relação do fã com o personagem. Para o casal de americanos, o primeiro Super-Homem dos quadrinhos é sua melhor versão, enquanto para Fabio, o homem que veio de Krypton é encarnado por Christopher Reeve, no filme de 1978. E para mim, é o trabalho que o ator George Reeves fez na série de TV dos anos 50, e que assisti na TV Bandeirantes em 1967. 

Ou seja, para gerações diferentes, o último filho de Krypton não é apenas um personagem dos quadrinhos, da televisão ou do cinema. Cada fã tem o homem-de-aço que representa um momento especial em suas vidas. Estive na estreia de Superman – O Retorno, com Brandon Routh, na cidade do México em 2006. Um filme excepcional e ousado por trazer para o século XXI um personagem que precisava de mais uma chance. O salvamento do Boing 747 no começo do filme é épico, lembrando um dos desenhos animados que os irmãos Fleischer fizeram nos anos 40. 

Henry Cavill também não decepcionou em Homem de Aço, Batman Versus Superman e Liga da Justiça. Como o primeiro britânico a vestir a capa do icônico super-herói, seu primeiro filme é o que explica por que o S no peito do personagem não é simplesmente uma referência ao Superman. No filme de 1978, Jor-El, o pai do futuro Homem de Aço, interpretado por Marlon Branco, usa um S em sua roupa. Agora, sabemos que é o símbolo da Família El que significa Esperança. 

E chegamos em julho de 2025, com uma nova versão da criação de Shuster e Siegel, assinada por James Gunn, o cara responsável por um dos grandes sucessos da Marvel, Guardiões da Galáxia, e de ter colocado o Esquadrão Suicida, da DC, em sua primeira versão para o cinema. Ou seja, o cara manja de transformar gibis e fantasia em movimento. 

E que transformação… 

O novo filme traz o David Corenswet como o novo kryptoniano do cinema. David é uma descoberta do produtor e roteirista Ryan Murphy, que o escalou em duas produções para a Netflix, O Político (2019) e Hollywood (2020). Ele consegue passar a ingenuidade de Clark Kent e estilo bom moço do Superman, como se fosse duas pessoas diferentes.  

Ao seu lado está a ex-Maravilhosa Sra. Maisel, Rachel Brosnahan, como a vibrante Lois Lane, que mantém uma relação amorosa com Superman sabendo que ele é Clark Kent. Isso quer dizer que não existe o mistério da descoberta como nos filmes e séries anteriores a 1978. A relação existe e é muito divertida, especialmente porque o roteiro de James Gunn não cria um drama existencial entre os dois como nos filmes de Henry Cavill com Amy Adams. É como na comédia de Howard Hawks, Jejum de Amor (1940), com Cary Grant e Rosalind Russell, eles se gostam, mas tem sempre algo para atrapalhar o futuro da relação. 

E o desagregador é o plano de Lex Luthor para manchar o heroísmo do Superman. Aliás, outra brilhante interpretação de Nicholas Hoult, que esteve no recente Nosferatu. Ele é e continua sendo o vilão clássico, mas dotado de uma superinteligência que o permite construir uma força-tarefa capaz de derrotar Superman. 

Só que a história que Gunn construiu não é apenas a eterna luta do Bem contra o Mal. É como o Mal utiliza uma ferramenta devastadora para manipular a opinião pública contra o Homem de Aço: as redes sociais. Para situar essa luta, Gunn começa o filme mostrando que os meta-humanos, seres com poderes além da imaginação, estão na Terra há mais de 300 anos, enquanto Clark e seu alter ego estão lutando para salvar o planeta há menos de uma década. 

É quando sabemos que ele impediu uma guerra num fictício país e, como represália, o país mandou um meta-humano chamado Ultraman, que deixa o homem de aço nocauteado. Ele é resgatado pelo supercão Krypto, levado à Fortaleza da Solidão, que é o ponto de partida de toda a trama do filme.  

Muita gente questionou o que poderia ser o filme, em função das imagens apresentadas nos trailers. Particularmente, tinha dúvidas sobre como tudo aquilo caberia em pouco mais de duas horas. Para minha felicidade, tudo funciona como um relógio, graças ao trabalho de James Gunn, que presta suas homenagens aos personagens e a outros heróis do universo da DC Comics. Em tempo: é o primeiro filme com o logo da DC Studios. 

São duas horas de ação, aventura, suspense, romance, no bom e velho estilo de um filme feito para entreter, que é a função básica do cinema. Gunn coloca o herói se questionando sobre seu futuro no planeta, sem dramas existenciais idiotas. Ele não constrói uma história para colocar o personagem principal em depressão para deprimir a plateia. Ao contrário, a energia do entretenimento está em todos os momentos do filme, mesmo quando ele dá uma pausa para o público respirar. 

Pela história criada por quem gosta de gibis, Superman pode quebrar as barreiras do ceticismo vigente com os personagens da DC desde Batman Versus Superman. É um filme bem-humorado sem cair nas piadas fáceis. É um filme de super-herói em que há uma distinção entre o Bem e o Mal, sem ilações sobre o caráter de cada um. Luthor é um ardiloso vilão, ao estilo de Hans Grubber, de Duro de Matar.  

Ele sabe utilizar seus minions para seu plano nefasto, enquanto tenta destruir a reputação do alienígena de Krypton. E se no caminho conseguir matar o homem-de-aço, é a cereja no bolo. O diálogo dele com o kryptoniano é um dos pontos altos do filme, digno de um confronto de titãs, estilo olimpiano. 

Não terminaria esse texto sem alertar para as surpresas que James Gunn criou para o final do filme, com direito a duas cenas pós-créditos. A melhor delas está relacionada ao filme da Supergirl, produzido por Gunn e estrelado por Milly Alcock, que já foi a jovem Rhaenyra Targaryen, da série Casa do Dragão. O filme está em pós-produção e é baseado na série de quadrinhos Supergirl – A Mulher do Futuro, desenhado pela brasileira Bilquis Evely. Ele chega aos cinemas em 2026. 

Não é nenhuma revelação que vai atrapalhar o prazer de ver esse filme. Nem mesmo os integrantes da Gangue da Justiça, que aparecem no trailer. O fato é que esse filme vai fazer muita gente colocar o Superman de James Gunn como seu Super-Homem preferido. Para o alto e avante! A aventura continua… 

Paulo Gustavo Pereira  

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